Análise do Livro Roube como Artista

Análise do Livro Roube como Artista

Após fazer o curso gratuito que o Murilo Gun disponibilizou ano passado a minha mente se abriu para a questão da criatividade. E como ela pode ser um auxilio naqueles momentos que precisamos transformar problemas complexos em várias soluções.

E com isso em mente comecei a ler o livro: Roube como Artista, iniciei 2021 com essa leitura que é ao mesmo tempo divertida e também é aquela que puxa sua orelha com muita sutileza.

Para quem é esse Livro?

Austin Kleon, trata do assunto criatividade de uma forma tão leve que o assunto se estende a vários públicos, pois como diria Murilo Gun

Criatividade é uma habilidade inata que precisa ser desenvolvida, e cuja utilidade é resolver problemas através da combinação de idéias.

O autor demonstra que na prática nenhuma ideia é inteiramente original e que ideias inovadoras tem a ver com “um remix de uma ou mais ideias anteriores”.

Pensar desse ponto de vista nos tira um peso das costas, pois sempre que pensamos em criatividade temos a tendência a achar que precisamos ser originais o tempo todo, do contrário seremos acusados de impostores.

Roube como Artista

Overview

Esse livro traz muitas reflexões no decorrer dos capítulos, mesclando a história pessoal do autor com análises do dia a dia da vida real. Ele demonstra como podemos solucionar problemas com criatividade.

Segue as minhas considerações de cada capítulo e as ideias principais que tirei de cada um.

1 – Roube como um Artista

Para desenvolver a criatividade precisamos começar a olhar o mundo com outros olhos, onde qualquer coisa pode ser transformada para solucionar problemas.

No nosso mundo atual precisamos desenvolver a capacidade de escolha, pois elas podem ser infinitas.

Temos que aprender a roubar ideias de todos os lugares, mas também ser seletivos com aquilo que decidimos que permanece.

Sobre isso Kleon pondera “todo artista é um colecionador. Não um acumulador, há uma diferença: acumuladores colecionam indiscriminadamente, artistas colecionam seletivamente. Eles colecionam apenas coisas que realmente amam.”

Ideias principais do Capítulo:

  • Precisamos ser mais curiosos com relação o mundo que vivemos;
  • Não precisamos roubar tudo precisamos aprender a escolher o que vale a pena;
  • Tenha sempre um modo de anotar onde quer que vá, você nunca sabe quando alguma ideia ou pensamento vão surgir;
  • Tenha um arquivo de furtos, que pode ser de qualquer tipo analógico ou digital. Viu uma ideia que vale a pena? Ponha no arquivo e quando tiver precisando de inspiração saque seu caderno;
  • Uma nova forma de estudar seus interesses: escolha um pensador – ou alguém que queira se espelhar. Estude tudo sobre esse pensador, depois encontre três pessoas que esse pensador amou e descubra tudo sobre elas. Dessa forma você já terá material e ideias suficientes para começar a criar as suas próprias.
  • Leia sempre, pois um livro sempre liga a outros.

2 – Não espere até saber quem você é para começar

Sempre temos a tendência a achar que não estamos prontos para os possíveis desafios que a vida nos apresenta, mas Kleon nos informa que “é no ato de criar e de fazer nosso trabalho que descobrimos quem somos. Você está pronto. Comece a fazer”.

Todos sofremos de a síndrome do impostor quando começamos a fazer algo novo e digo isso por mim mesma. E sim, isso é normal, ninguém está imune

Com isso me lembrei de um TED que vi recentemente sobre como não precisamos fazer dezenas de cursos para sermos bons em algo, mas com apenas 20 horas de treino deliberado já conseguimos desenvolver a tarefa bem.

 

Ideias principais do capítulo:

  • Muitas vezes não sabemos de onde as coisas interessantes vem, é apenas fazendo nosso trabalho dia a pós dia que elas surgem;
  • Todos aprendemos imitando e copiando, desde criança, é algo natural;
  • E que podemos replicar quando adultos para aprender coisas novas, até encontrar o seu próprio estilo;
  • Não somos capazes de fazer cópias perfeitas seja do que for e é nessa falha que descobrimos nossa própria de fazer, assim evoluímos.

3 – Escreva o livro que você quer ler

Queremos sempre dar o nosso melhor e acabamos caindo na armadilha de criar somente em cima do que conhecemos, isso vale para escritores, artistas e pessoas comum.

Na verdade desenvolvemos a criatividade imaginando outras possibilidades fora da caixinha. Todos deveríamos escrever a história que gostaríamos de ler.

Austin nos incentiva a tornar nossas carreiras e vidas condizentes aos nossos valores de forma que quando olharmos pra o resultado final fiquemos orgulhosos do que criamos.

Ideia principal do capítulo:

  • Kleon propõe o desafio “desenhe a arte que você quer ver, comece o negócio que quer gerir, toque a música que quer ouvir, escreva os livros que quer ler, crie os produtos que quer usar – faça o trabalho que você quer ver pronto”.

4 – Use suas Mãos

Kleon fala no livro “que os computadores nos roubam a sensação de que estamos verdadeiramente fazendo coisas.

Ao invés disso, parece que estamos apenas batendo em teclas e clicando”.

Vivencio essa sensação no meu dia a dia. Por esse motivo trabalhar com a produção de conhecimento se torna algo tão desafiador.

Concordo com que ele que “precisamos sentir que estamos fazendo algo com os nossos corpos e não só com nossas cabeças”.

Por esse motivo em muitos momentos no dia a dia, utilizo meu talento de organização, não apenas para deixar as coisas organizadas no computador, mas também nos ambientes que ocupo.

Acredito muito que ver a transformação em um ambiente organizado, produz uma mente também organizada e serena.

Ideias Principais do Capítulo:

  • Kleon cita Barry que nos faz refletir com o ditado “em nossa era digital, não esqueça de usar suas digitais”. Tenha espaço para o analógico na sua vida e somente depois passe para o digital;
  • O computador é excelente para o processo de finalização de um trabalho, mas não é muito para gerar ideias. “E muitas vezes ele estimula o nosso perfeccionismo – começamos a editar ideias antes de tê-las”.

5 – Projetos Paralelos e Hobbies são Importantes

Acabamos achando que nossos projetos paralelos são apenas distrações e que não vão levar a nada, mas para Austin Kleon são esses que acabam decolando.

Mas também não podemos crer que tudo que é hobbie vai virar um negócio de sucesso.

Muitos projetos e hobbies nos auxiliam dando um empurrãozinho para a procrastinação produtiva. É aquele tempo de distração, que ajuda a cabeça relaxar e que não sabemos onde podemos chegar.

Ideias Principais do Capítulo:

  • Reservar um tempo para ficar entediado, sem fazer nada;
  • Lave a louça, faça exercícios físicos ou apenas caminhe, observe a natureza ao seu redor essas atividades relaxam nossa mente e nos tornam mais produtivos;
  • Temos muitas paixões e por vezes achamos que elas não tem nada em comum e que precisaremos escolher uma em detrimento da outra e não deve ser assim;
  • O ponto que liga todas elas é apenas você mesmo! Não precisa jogar fora nenhuma de suas partes. Uma hora elas vão se encaixar;
  • Alguns hobbies são o que são, não necessariamente precisa transforma-lo em negócio, o lance é ter a possibilidade de ser feliz quando está realizando aquela atividade.

6 – O segredo: Faça um bom Trabalho e Compartilhe-o com as Pessoas

Não basta apenas ser bom naquilo que se faz, precisa mostrar e compartilhar com as pessoas.

Temos medo de dividir aquilo que sabemos, mas o conhecimento é algo que só aumenta conforme compartilhamos com outros.

Com o passar do tempo vamos vendo o que funciona ou não, o que é importante é dar o seu melhor.

Ideias Principais do Capítulo:

  • No começo ser desconhecido é ótimo, pois você pode testar o quanto quiser, sem pressão;
  • “As pessoas adoram quando você entrega seus segredos e às vezes, elas o recompensam comprando coisas que você vende”;
  • Ao compartilhar coisas o seu aprendizado só aumenta. Por isso mostre um pouco do que está fazendo, uma dica, um artigo interessante, um livro que esteja lendo;
  • A internet pode ser sua incubadora, onde você coloca suas ideias que não estão complemente formadas;
  • Encontre pessoas que ame as mesmas coisas que você e compartilhe coisas com elas;
  • Para fazer um bom trabalho, você não pode desistir na primeira falha.

7 – A Geografia não manda mais em Nós

Você tem liberdade para viver onde quiser e ainda assim estar conectado com qualquer pessoa que você queira, mas ao mesmo tempo Kleon nos mostra que às vezes precisamos de um pouco de espaço e tempo desconectado do mundo lá fora para as coisas acontecerem.

Ideias Principais do Capítulo:

  • Precisa desconectar? O cotidiano está cheio de possibilidades para desligar, basta perceber;
  • Pegar um ônibus com um trajeto mais longo e aproveitar o caminho, passar um tempo na frente de casa aproveitando a paisagem, passar um tempo no parque sem fazer nada, carregar um livro com você e lê-lo em todas as oportunidades;
  • Kleon nos incentiva a fazer uma das coisas que mais amamos que é viajar! E eu também incentivo a todos que estão ao meu alcance.

A estrada

Concordo com ele “viajar faz o mundo parecer novo, e quando o mundo parece novo, nosso cérebro trabalha com mais empenho”.

É o gosto da aventura que vamos perdendo aos poucos com uma rotina com poucas surpresas, por isso saia de casa.

8 – Seja Legal (o mundo é uma cidade pequena)

A vida esta cheia de haters e o livro nos ensina como lidar com eles, simplesmente ignorando-os.

E também nos ensina que para fazer amigos basta dizer coisas legais sobre eles (quem dera que fosse só isso 😅).

Porém nesse capítulo o que ele nos mostra que independente do que queremos, não esqueçamos que estamos em um mundo mega conectado.

E tudo aquilo que dizemos nas redes sociais se propagam rapidamente, pois muitas das nossas fronteiras desapareceram.

Ideias Principais do Capítulo:

  • Siga pessoas que estão fazendo trabalhos interessantes;
  • Ao invés de gastar energia reclamando dos outros ou arrumando brigas, procure canaliza-la para algo que faça sua vida caminhar para frente;
  • Se você ama o trabalho de alguém, demonstre, escreva para essa pessoa. É sempre legal receber algum feedback positivo sobre o nosso trabalho.

9 – Seja Chato (é a única maneira de terminar o trabalho)

Esse foi o capítulo que mais me identifiquei, pois vejo a organização como uma forma de facilitar a vida.

A organização é uma ferramenta que traz segurança no dia a dia. Com a mente, vida e finanças organizadas conseguimos nos manter focados em outras atividades que demandam mais energia.
Ele enfatiza bastante o quanto a organização nos ajuda a ser criativos, o contrário do que muitos pensam.

Ideias Principais do Capítulo:

  • Cuide-se, faça exercícios, coma bem e durma bastante;
  • Fique longe das dívidas. “Se empenhe e aprenda sobre o dinheiro o mais cedo que puder. Ficar livre de estresse financeiro também significa liberdade”;
  • Ter uma rotina e mantê-la pode ser mais importante do que ter muito tempo livre;
  • Faça seu trabalho todos os dias, não existe sábados, domingos ou feriados;
  • Tenha uma forma de métrica para saber se o seu trabalho está caminhando como deveria;
  • Tenha um diário que você lista as coisas que faz todo dia, assim você tem um registro do que aconteceu nos seus dias;
  • Escolha com cuidado com quem faz negócios, cria amizades ou se casa. Um bom parceiro tem mantém com os pés no chão quando você perde.

10 – Criatividade e Subtração

Precisamos aprender a escolher o que colocar e o que tirar em qualquer situação da vida.

E para cultivar a criatividade essa premissa é mais que certa.

Ideias Principais do Capítulo:

  • Imponha-se algumas limitações;
  • Não invente desculpas, faça o melhor com o que você tem agora;
  • Criatividade não é apenas o que escolhemos usar, são as coisas que escolhemos deixar de fora.

Porque a leitura dele é Obrigatória?

Todo mundo lida com problemas e para resolve-los você precisa de criatividade então seja você quem for, esse livro é para você.

É uma leitura gostosa e rápida, mas também que pode trazer grandes reflexões sobre a forma como levamos a vida.

Definitivamente entra no rol das minhas leituras favoritas e memoráveis, que merece seu destaque pela leveza ao abordar os assuntos.

Porque criatividade como qualquer habilidade humana precisa ser prática e aprimorada. Então para fazer um bom trabalho precisamos começar e fazer todos os dias.

Mapa Mental de um bom trabalho